Terceira Margem
Arquitetura e Singularidades

Inspirações

Alimentar para questionar.  E vice-versa
Pessoas, trabalhos, obras e produções que constroem e desconstroem nossos espaços de significação e sentido. 


Inspirations
Question to nurture. And vice-versa
People, works, artworks and productions that build and deconstruct our spaces of meaning.

 

 

Hélio Oiticica | artes plásticas, performances

Considerado um dos maiores artistas da história da arte brasileira, identificado por sua produção inovadora, de extrema vanguarda, política e de caráter experimental. Propõe um arte que busque uma abertura ao e do participador, através de experiências que promovam uma volta do sujeito a si mesmo, redescobrindo-se, libertando-se dos seus condicionamentos morais e estéticos, impelido-o a um estado criativo, uma vivência sensível em relação ao espaço que ocupa.

Um dos trabalhos que tornaram-se fortes referências são os "parangolés" (final dos anos 1960), que surgem a partir do contato com o samba no Morro da Mangueira, e do contato com o êxtase de seus ritmos, com uma comunidade organizada em torno da criação.

Outra obra da mesma época são os "penetráveis" compostos por placas de madeira pintadas com cores quentes penduradas no teto por fios de nylon, onde o deslocamento do espectador quanto a movimentação das placas passam a integrar a experiência. Em 1967 cria a obra "Tropicália",um labirinto construído com uma arquitetura improvisada, semelhante às favelas, um cenário tropical com plantas características e arara, onde o público caminhava descalço, pisando em areia, brita, água, experimentando sensações, no fim do percurso se defronta com um aparelho de TV ligado, um símbolo moderno. Esta obra daria nome ao movimento cultural brasileiro.

Outros trabalhos que também são fonte de inspiração para o Terceira Margem são as Cosmococas e os Labirintos Públicos. As primeiras consistem em um conjunto de instalações isoladas do mundo exterior, os "Blocos-experimentos", cuja composição lança mão de recursos multimídia projetados nas paredes e acompanhados por trilha sonora – e elementos que convidam o espectador a participação - como redes, piscina, balões. Busca-se, com isso, propor ao participador uma experiência suprassensível.
Os Labirintos Públicos tratam-se de são parte do projeto ambiental de Oiticica e visam ser lugares públicos permanentes onde proposições abertas devem ocorrer. São instalações que não buscam representar o mundo ou o tempo cronológico, mas sim preencher o espaço de subjetividade individual, invocando a autoperformance livre e o tempo próprio de cada indivíduo. São lugares onde o próprio indivíduo é artista de si mesmo (auto-teatro) e que propõe um momento de lazer desprogramado.